27 MAIO

“Informação tornou-se a nova moeda corrente”

by Peyon

Quando se pensa na Microsoft, duas coisas vêm à mente: o sistema operacional Windows e o pacote de programas Office. Como principal executivo de operações e segundo homem da companhia no mundo, o americano Kevin Turner sabe da importância desses produtos, mas têm a missão de estimular os negócios em uma frente bem menos conhecida, cujas marcas soam misteriosas para o consumidor comum. Conheçam o mundo do Cloud OS.

OS é a sigla em inglês para sistema operacional, mas o Cloud OS não é um software. É dessa forma que vem sendo chamada, internamente, a estratégia que reúne programas e serviços para tratar os dados empresariais e permitir que os gestores acessem as informações em tempo real, por meio de tablets e smartphones. “Informação tornou-se a nova moeda corrente”, diz Turner, ao Valor.

O Brasil está bem posicionado para tirar vantagem do que a Microsoft chama de “dividendo de dados”. “É a oportunidade de transformar dados em dinheiro”, diz Turner. Em quatro anos, o retorno financeiro proporcionado pelo tratamento adequado das informações é estimado em R$ 101 bilhões, o que coloca o país em 8º lugar numa relação de 20 países. Na pesquisa da consultoria IDC, feita com 2,2 mil executivos, o Brasil precede outros integrantes do BRIC, como Rússia e Índia.

Para a Microsoft, a área de atuação não é nova e tem origem no Windows Server, a versão do Windows para servidores, os computadores que administram as redes. O que pouca gente sabe é que o negócio já é maior que o próprio Windows. No ano fiscal 2013, encerrado em junho do ano passado, a divisão batizada de “server and tools” respondeu por uma receita de US$ 20,3 bilhões, superior à unidade de Windows, com US$ 19,2 bilhões. O faturamento só foi menor que o dos aplicativos de negócios (leia-se Office), com US$ 24,7 bilhões.

Com as mudanças em curso na Microsoft, a tendência é que a área ganhe força. “Mobile first, cloud first” é o mantra que o indiano Satya Nadella vem repetindo desde que assumiu o comando mundial da Microsoft, em fevereiro. O processo sucessório, um dos mais aguardados dos últimos tempos, durou cinco meses e colocou Nadella na cadeira que pertenceu a Steve Ballmer e, antes dele, a Bill Gates. Em 39 anos, Nadella é apenas o terceiro executivo-chefe da Microsoft.

Como o próprio nome diz, a estratégia Cloud OS está diretamente associada aos objetivos definidos por Nadella – é, primeiramente, móvel e na nuvem. Para deixar isso claro, Mariano de Beer, presidente da Microsoft no Brasil, mostra em seu tablet um quadro com os principais indicadores de vendas da companhia. Basta clicar em um gráfico para obter detalhes sobre o item. “A velocidade no tratamento dos dados é acelerada em cerca de 30 vezes [em relação ao tempo médio]”, diz o executivo.

A facilidade de uso demonstrada por de Beer é um fator com que a Microsoft conta para convencer potenciais clientes. O Itaú Unibanco já está usando a tecnologia. O tablet do executivo exibe um simples slide de PowerPoint, mas por trás disso há ramificações tecnológicas que combinam recursos de software e serviços e desembocam na infraestrutura necessária para manter tudo no ar: os centros de dados.

Nas próximas semanas, diz Turner, a Microsoft vai apresentar novidades sobre o centro de dados brasileiro anunciado em dezembro do ano passado. Até março, 30 clientes testaram as instalações e desde abril é possível contratar serviços, mas sem garantia do nível de atendimento. A próxima fase será quando o centro entrar em operação plena, com preços definidos e garantias contratuais.

A Microsoft guarda segredo sobre o centro de dados, devido a razões de segurança. “Só podemos dizer que fica no Estado de São Paulo, numa área com grande confluência de canais de fibra óptica”, diz André Echeverria, gerente-geral da área de enterprise e cloud. Mais de 3,5 mil empresas no Brasil hospedam dados ou aplicações na infraestrutura de nuvem da empresa – a maioria em dois centros da companhia no sul dos Estados Unidos. Com a abertura das instalações brasileiras, a expectativa é que boa parte dos clientes se transfira para o país. “Devido à proximidade, o tempo de resposta [para acessar um dado] pode ser 10 a 30 menor”, afirma Echeverria.

Para Turner – que há oito anos deixou o cargo de presidente do Sam’s Club, o clube de compras do Walmart, para juntar-se à Microsoft -, o Cloud OS também é um campo aberto para outras transformações em curso na companhia. A Microsoft relutou muito até lançar, em março, uma versão do Office para iPad, cujo modelo original foi apresentado pela Apple em 2010. Recentemente, também decidiu deixar de cobrar licenças do Windows de fabricantes de smartphones e tablets pequenos, com telas de até 9 polegadas.

As mudanças parecem indicar uma Microsoft mais aberta, algo que Turner, à frente de uma organização que reúne 47 mil dos quase 102 mil funcionários da companhia, tem condições de levar a novos patamares. Com o Azzure, o serviço empresarial de infraestrutura na nuvem, a Microsoft pode rodar aplicações de concorrentes como a americana Oracle ou Linux, o sistema operacional de código aberto que anos atrás era visto como um inimigo mortal.

Em outro sinal de flexibilidade, a Microsoft criou uma espécie de costura digital que permite aos clientes ver de maneira unificada informações distribuídas em centros de dados próprios e da companhia – uma maneira de quebrar a resistência de quem prefere manter parte das informações dentro de casa.

Tudo isso remete a outra frase de Nadella, que recentemente disse que a companhia devia ver a si mesma como um “azarão”. “Não somos grandes no segmento de smartphones ou de tablets”, reforça Turner. “Em áreas como essas, somos azarões.”

Para a empresa que dominou tão completamente a era do computador pessoal, a ponto de ser ameaçada de cisão pelo governo americano, é uma mudança de postura significativa. Turner reconhece os desafios de se adaptar aos novos tempos, mas diz que tanto os clientes, que ele visita com frequência, como os parceiros de negócios estão otimistas com a visão renovada da Microsoft. “São tempos emocionantes”, diz ele.
Leia mais em:

http://www.valor.com.br/empresas/3558992/o-lado-menos-popular-da-microsoft#ixzz32utgJLGi

 

Tags:
Avatar

Peyon

Deixe um comentário

Copyright © 2018 MSIDATASTORE. Todos os direitos reservados