A Governança é essencial para assegurar o valor dos dados no seu negócio

Dando continuidade à nossa Série Dado é Tudo, vamos abordar o tema: Dado é Governança.

Governança é um tema que hoje permeia todas as organizações de qualquer porte e de importância imprescindível na gestão de empresas. Os dados, matéria-prima da informação, que são a base para a tomada de decisão sob níveis aceitáveis de risco, devem ser geridos por processos de governança, com o objetivo de agregação de valor e sucesso nos negócios.

Na era da informação, em que trilhões de dados trafegam pela internet, é imprescindível um processo de governança que permita equacionar as diversas variáveis inerentes ao modelo econômico do processo de gestão de negócios: Custo baixo, alto nível de qualidade, risco dentro de limites toleráveis e agilidade de decisão.

Vejamos dois casos clássicos de falha na governança de dados:

TARGET – Em 10/01/2014 a Target, gigante americana do varejo declarou que cerca de 110 milhões de pessoas foram afetados pela invasão ao banco de dados de clientes da sua rede de lojas nos EUA, em que foram roubados dados incluindo e-mail, telefone, endereço físico, números de cartão de crédito e de débito. O resultado: 1700 pessoas foram demitidas; 110 milhões de pessoas/cartões envolvidos; U$2,5 bilhões de dólares de prejuízo (só no Canadá), entre outros problemas de reputação e continuidade da marca.

LEHMAN BROTHERS – O Banco Lehman Brothers (LB) esteve entre as maiores empresas na Fortune 500 por 14 anos e foi classificado em 37.o lugar em tamanho em 2007. Entretanto a empresa foi alavancada em uma proporção de pelo menos 31-para-1, significando que ela pediu emprestado US $31 por cada US $1 do seu patrimônio líquido. Com o estouro da bolha imobiliária na crise financeira de 2008, LB não poderia descarregar os empréstimos ativos no mercado. LB saiu de uma receita de US $ 59 bilhões em 2007 e 28.000 funcionários para a falência em 2008 (veja mais detalhes na página 21 deste link).

O que é governança de dados?

Governança de dados é o gerenciamento da disponibilidade, usabilidade, integridade e segurança dos dados usados ​​em uma empresa. Ou seja: O mecanismo pelo qual uma organização garante que os dados corporativos corretos estão disponíveis para as pessoas certas, no momento certo, no formato e com o contexto certo, através de um canal de comunicação adequado. Isto permite que que toda a organização aproveite novas oportunidades de negócios ao invés de operar de forma reativa.

Um sólido programa de governança de dados inclui uma equipe responsável pela gestão de dados, um conjunto definido de procedimentos e um plano para executar os mesmos.

As empresas se beneficiam da governança de dados ao garantir que os dados – um ativo importante da empresa -, sejam consistentes e confiáveis. Isso é crítico, pois as organizações dependem de dados para tomar decisões, otimizar operações, criar novos produtos e serviços e melhorar a lucratividade. Cada vez mais a governança de dados é reconhecida como um fator de vantagem competitiva que adiciona valor a serviços e produtos.

E as janelas de oportunidades para atingir esses resultados bem como a exposição a riscos inesperados podem ser muito estreitos. As empresas precisam saber o que está acontecendo não apenas em sua própria organização, mas também em todas as empresas da sua cadeia de negócios, sejam elas fornecedores, clientes ou parceiros. Ter acesso em tempo real à informação é crucial. É importante saber onde os dados residem e o que eles valem, calcular a probabilidade de risco e custo para a organização, no caso de um eventual roubo de dados como nos dois casos descritos anteriormente.

Através de eficazes programas de governança as empresas podem atingir objetivos que justificam de longe o valor-agregado as decisões de negócios:

  • Aumento da consistência e confiança na tomada de decisão,
  • Diminuição do risco de multas regulatórias,
  • Melhoria da segurança dos dados e informações,
  • Maximização do potencial de geração de lucro,
  • Alavancagem da qualidade dos dados e informações,
  • Simplificação de processos para obter dados mais confiáveis, mais ágeis e a um custo menor,
  • Melhoria da integração dos dados entre os diversos sistemas corporativos.

Como é um programa de governança de dados?

Um programa de Governança de dados tem o seu alicerce em princípios entre os quais podem ser destacados:

  • Integridade – debate aberto sobre necessidades de acesso a dados, restrições, impacto, justiça com todas as partes interessadas (stakeholders).
  • Transparência – clareza para com os participantes em decisões, políticas e processos
  • Auditabilidade – baseados em processos registrados e documentados.
  • Custódia de dados – prestação de contas e responsabilidade dos colaboradores bem definida.
  • Equilíbrio – de responsabilidade compartilhada entre IT & funções de negócios, incluindo gestores de dados e usuários.
  • Padronização – em todos os níveis de decisão da empresa (operacional, tático, estratégico).
  • Gerenciamento – mentalidade proativa e reativa, uso estruturado de dados e metadados.

A governança de dados está preocupada com a criação de regras e políticas de uso de dados, como legislar sobre dados e criar padrões para manipulação de dados e definir uma política de conformidade. Em resumo: Governança de dados é criar uma estrutura em termos de pessoas, documentação e processos para garantir que os dados sejam adequados, precisos, completos e seguros. Não existe uma regra “one fits all” para programas de governança de dados. Algumas considerações como: tamanho do mercado, quantidade de colaboradores, faturamento da empresa, ciclo da cadeia produtiva da empresa, etc. podem requerer um programa específico para cada realidade de organização.

Áreas-foco de programas de governança de dados

A seguir mencionamos alguns programas de governança de dados que podem ter um foco específico em seis áreas dependendo da realidade da empresa.

Na visão do DGI – Data Governance Institute, um único framework pode ajudar a organizar o programa de governança para cada uma das áreas em foco, visto que todos os programas de governança de dados têm em comum:

  • Atividades que endereçam a missão de governança em três componentes: criação de regras, resolução de conflitos, fornecer serviços continuamente;
  • Todos usam a maioria dos componentes de um programa padrão de governança de dados.
  • Os programas endereçam um processo universal de governança e serviços, tais como a resolução de problemas e o cuidado com as partes interessadas (stakeholders).

Ciclo de vida da Governança de dados, uma Metodologia

O DGI propõe uma metodologia com 7 fases para cobrir o do Ciclo de Vida de um programa de Governança de Dados, que são:

Uma característica específica da metodologia do DGI é que ela considera que a governança de dados começa muito antes da execução do programa propriamente dito. Algumas questões como: Qual é a proposta-de-valor e: QUEM/ O QUE/ QUANDO/ONDE/ PORQUÊ/ COMO, devem ter respostas, mesmo que em uma fase preliminar, para motivar os patrocinadores a financiar um programa desse porte.

As três primeiras fases do ciclo de vida de governança de dados são difíceis. Já ouvimos o ditado que “é difícil ver a floresta a partir das árvores”. E se você é uma das árvores? Se você está apenas começando, considere pedir a ajuda de um outro grupo dentro da sua organização que lançou com sucesso um novo programa. Que lições aprenderam sobre proposta-de-valor e como conseguiram patrocinar/financiar o programa? Considere também consultar outras organizações que já lançaram com sucesso programas de governança de dados. Que métricas que foram adotadas? Que valor-agregado fez mais sentido para as partes interessadas? O que motivou os patrocinadores? Foram bem-sucedidos?

Uma vez conseguido o suporte e o financiamento/patrocínio, entram as fases de execução 3-7 que são típicas de um programa de gestão de qualidade PDCA – Planejamento, Desenho, Entrega, Gestão e Monitoramento (este incluindo medição e reporte). O monitoramento das atividades é uma etapa crítica, considerando que a medição do progresso e o reporte ao comitê do projeto, antecipando as expectativas das partes interessadas, são regras de boa governança que garantirão o sucesso do mesmo.

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Escrito por: Antonio Fonseca Ribeiro